sábado, 16 de junho de 2012

Serra “invade” redações e exige retaliação a Maluf


Antes de um relato espantoso que farei, quero esclarecer meu ponto de vista sobre a possível – mas, ainda, não confirmada – aliança entre o candidato pelo PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-prefeito e ex-governador da capital paulista Paulo Maluf.
Na verdade, este texto deveria ter sido publicado na sexta-feira, mas decidi adiar porque recebi ligação de fonte que tenho em um grande jornal paulista e que discorda da atuação da imprensa local e que, assim, frequentemente me dá informações em primeira mão.
Foi-me relatado que Maluf estava para romper a aliança que mantém com o governo Geraldo Alckmin e com o pré-candidato do PSDB a prefeito da capital paulista, José Serra, de forma a se aliar a Haddad.
Muitos não entenderam, portanto, em razão do que, na sexta-feira, este blog amanheceu com uma postagem sobre a atuação de Maluf durante a ditadura. Isso, porém, ficará claro mais adiante.
Desde o ano passado que Maluf é aliado do PSDB paulista. Isso se deu por ter ganhado do governador Geraldo Alckmin o direito de indicar um afilhado para dirigir a Companhia Estadual de Habitação de São Paulo (CDHU).
Por conta dos favores de Alckmin a Maluf ele estava fechado com Serra para levar o PP paulistano, um feudo malufista, a ceder ao tucano seu tempo de TV na próxima campanha eleitoral
O PT, porém, passou a assediar o PP da capital paulista para que apóie Haddad valendo-se do argumento de que o partido de Maluf já mantém coligação com o governo Dilma Rousseff e que, portanto, seria lógico manter essa aliança em nível municipal.
Em minha opinião, não é a mesma coisa. Maluf, hoje, tem muito menos influência no PP nacional, que tem lideranças mais respeitadas, como, por exemplo, Francisco Dornelles (RJ), que não segue a liderança malufista.
Fazer aliança com o PP paulistano, portanto, é fazer aliança direta com Maluf. Por 1m43s de TV, parece-me pouco. É um constrangimento enorme para candidata a vice na chapa de Haddad, a ex-prefeita Luiza Erundina, e para o próprio PT.
Por conta disso – e como as tratativas ainda não estavam sacramentadas –, publiquei neste blog, na última sexta e de forma açodada, notícia que pretendia publicar mais adiante e de forma  mais aprofundada no âmbito de postagens que ainda farei sobre a Comissão da Verdade.
Com o post sobre o apoio de Paulo Salim Maluf à ditadura militar, quis lembrar ao PT paulista quem é esse indivíduo, ainda que, por óbvio, seja desnecessário.
Julgo que a aliança com esse senhor é imprópria. Como eleitor e apoiador do PT, sinto-me constrangido.
Julgo que Haddad é, de longe, o melhor candidato para São Paulo e que o apoio de Maluf conspurca sua candidatura.
Julgo que o eleitorado malufista odeia mais o PT do que aprecia Maluf.
Julgo que a aliança com Erundina levará Haddad longe e que, esse sim, é um apoio vital.
Julgo, por fim, que Haddad não precisa de Maluf ou do desgaste que tê-lo em sua aliança irá gerar
Essa é a minha sincera opinião. Contudo, não farei disso um escarcéu. Todavia, o aviso está dado.
Apesar do extenso preâmbulo que você acaba de ler, o que tenho a relatar, prioritariamente, é outro fato que me foi confidenciado por aquela fonte que trabalha em um grande jornal paulista e que, vira e mexe, municia-me com informações de bastidores sobre a imprensa de meu Estado.
É revoltante e uma prova do partidarismo doentio da imprensa paulista o escarcéu que esta está fazendo diante da possibilidade de Maluf realmente vir a apoiar Haddad. E é ilógico. Até Maluf acenar com tal apoio, a imprensa local nem lembrava que ele existia.
O acordo do governo federal com Maluf – e não com o PP – para que este destine tempo de tevê em São Paulo a Haddad não difere do acordo entre tucanos e pepistas na capital paulista. Por que o que não é notícia quando o acordo é com tucanos vira notícia quando o acordo é com o PT?
Isso se deve a que Serra, irritado com o que chama de “ganância” de Maluf, que estaria aumentando o preço da fatura para os tucanos, passou a disparar telefonemas para os “aquários” (chefias de redação) da imprensa paulista exigindo “denúncia” do mesmo Maluf e de Haddad.
A imprensa – Folha de São Paulo à frente, pois Serra ligou para ‘Otavinho” – está “denunciando” que o PT está fazendo com o PP o mesmo acordo que este fizera com o PSDB.  De forma “inexplicável”, de repente a imprensa tucana descobriu que Maluf é Maluf.

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