quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Semelhança com Lula torna Marina um “complicador” para o PT, diz Feldman


Entrevista concedida a Cíntia Alves e Luis Nassif
Imagem: Pedro Garbellini
Em entrevista exclusiva ao GGN, Walter Feldman, porta-voz da Rede, diz que essa eleição será a “disputa do século” entre Marina e seu antigo partido. “A tirar ou não o PT do poder”
Jornal GGN - No início de setembro, cumprindo agenda de campanha em São Paulo, o ex-presidente Lula, incomodado com a notícia de que Marina Silva (PSB) chorou ao citá-lo em uma entrevista na qual ela critica o PT, reagiu sugerindo que Marina ainda estava ressentida por não recebido apoio para disputar a eleição de 2010. "Eu tinha que escolher [naquele ano] aquela [candidata] que eu achava a mais preparada. Se a companheira [Marina] está chateada porque eu não escolhi ela, paciência", rebateu.
Muitos anos se passaram desde que Marina deixou o primeiro escalão do governo Lula e o próprio PT, legenda na qual militou por décadas. De lá para cá, Marina passou pelo PV; tentou, sem sucesso, emplacar a Rede Sustentabilidade e, sem saída mas com a ânsia de disputar novamente o cargo máximo do Palácio do Planalto, ela fez as malas rumo ao PSB. Consigo, arrastou uma legião de seguidores dissidentes dos mais distintos partidos. Entre eles, Walter Feldman.
Ex-tucano, Feldman é hoje o porta-voz nacional da Rede Sustentabilidade e um dos braços direito de Marina na campanha do PSB. Em entrevista exclusiva ao GGN, ele saiu em defesa de Marina e rebateu a fala de Lula, a quem comparou com a amiga pessoal por causa da origem humilde de ambos. “Lula, como sempre, age como um bom marqueteiro”, disparou.
“Quem conhece Marina sabe que ela não se pauta por ambições eleitorais, nem mesmo políticas. Ela tem uma profunda reflexão humanista da compreensão do seu papel na realidade brasileira. Nem aqueles que não a conhecem acreditariam nessa versão [de que ela saiu do PT por ter sido preterida por Lula]”, emendou.
Segundo Feldman, Marina deixou a gestão Lula e o partido graças a uma “enorme contradição com a visão ambiental do PT, particularmente na relação com a presidente Dilma [Rousseff], que já mostrava ser a opção de Lula - não a eleitoral, mas a opção de modelo de Estado e de governança, que era algo contraditório ao que Marina pensava.”
Marina virou para o PT aquilo que os mais experientes na política chamam de verdadeira oposição. Ela saiu, em tese, das entranhas do partido que hoje está estabelecido no poder, e é quem reúne, de acordo com as últimas pesquisas de opinião, mais condições de impedir a reeleição de Dilma. Feldmann considerou o cenário um desafio para a situação, que terá de lidar, ainda, com outra particularidade de Marina: o potencial de suceder Lula na popularidade.
Foto: divulgação
“Marina é um complicador para o PT. Ela tem uma origem tão ou mais sofrida que Lula. Tem um carisma, no mínimo, igual ao de Lula. Só não teve tempo de construir um partido [a Rede, que não atingiu o número necessário de assinaturas para ser homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral]. Mas eram tempos e situações diferentes [a construção do PT por Lula, e da Rede, por Marina]. Havia, naquele período, uma possibilidade de ampliação maior do que existe hoje. Mas o sentimento de mudança hoje talvez seja maior do que naquele período”,ponderou Feldman.
E com Dilma, Marina guarda alguma semelhança? Para Feldman, as duas são diferentes porque Marina não tem medo de ser “aquilo que ela parece ser”, disse. “Ela é como diz Gandhi: ‘Eu sou a minha mensagem’. A Marina é o que expressa, não é diferente na vida pessoal. Ela é, eu diria, inflexível em princípios e valores. Mas ela entende que politica é uma mediação permanente.”
Apesar de colocar ambas as candidatas em polos opostos, Feldman reconhece que esta eleição tem tudo para ser uma das melhores da história no que tange o debate em torno de propostas. Para ele, o diferencial de Marina é ter compreendido a insatisfação da sociedade melhor que os concorrentes, e ter optado por uma “aliança programática” com Eduardo Campos.
“Na nossa avaliação, nós contribuímos para elevar o nível do debate e discutir o Brasil. Hoje, nós sabemos, parcialmente, o que cada candidato pensa sobre os variados temas. É uma realidade, e é muito melhor do que foi em 2010. Precisamos aprofundar, e isso vai acontecer no segundo turno, que será o embate do século. Porque são duas pessoas [Dilma e Marina] que tem origens semelhantes, mas posturas, compromissos e histórias muito diferentes, e é um debate sobre a manutenção ou não do PT no poder”, frisou.
Foto: divulgação
Segundo Feldman, a campanha de Marina está tranquila com os resultados das pesquisas eleitorais. Nelas, a ex-ministra vem mostrando desempenho mais modestos. A candidata entrou na disputa após a morte de Eduardo Campos, em 13 de agosto, atingindo um pico entre o eleitorado que acabou resultando em um "chega pra lá" no candidato Aécio Neves (PSDB). Mas as últimas sondagens mostram um refluxo no desempenho de Marina. Para Feldman, isso era esperado pela equipe e o importante é que ela tem conseguido manter a estabilidade nas intenções de voto, mesmo enfrentando “ataques feroses" dos adversários.
http://jornalggn.com.br/noticia/semelhanca-com-lula-torna-marina-um-%E2%80%9Ccomplicador%E2%80%9D-para-o-pt-diz-feldman

Um comentário:

fabio libertario disse...

Desculpe, não vejo mais sentido em postar uma notícia requentada como essa. Nenhuma novidade...