Acusado de envolvimento num suposto esquema que fraudava o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Goiás, o presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Evangevaldo Moreira dos Santos, pediu demissão do cargo.
"Infelizmente, diante do cenário que se construiu, nada mais me resta senão apresentar-lhe o meu pedido de afastamento do cargo de presidente da Companhia Nacional de Abastecimento, em caráter irrevogável e irretratável, de modo a não contribuir para um maior desgaste do governo ou do meu partido [PTB]", diz ele em carta à presidente Dilma Rousseff.
No documento, Santos lamenta "profundamente que, numa democracia tão consolidada, seja possível denegrir-se a imagem e o caráter de alguém, em praça pública, a ponto de tais condutas orquestradas terminarem por determinar as saídas possíveis aos gestores da Nação".
"Garanto que sou um homem de bem, um homem honrado, e que as acusações a mim imputadas são completamente infundadas e resultarão, de minha parte, na adoção oportuna das medidas cabíveis."
Santos diz ainda que tem sido usado como instrumento de adversários políticos que "vislumbram" as eleições municipais.
"Indicado à presidência da Conab pelo PTB e sendo pessoa da confiança do deputado Jovair Arantes [líder do PTB na Câmara], a quem considero um grande amigo, sei que tenho sido usado como instrumento de adversários políticos que vislumbram as eleições municipais, às quais o deputado concorrerá este ano."
ACUSAÇÃO
O Ministério Público Federal em Goiás apontou Santos como "intermediário" num suposto esquema que fraudava o exame da OAB no Estado.
A Procuradoria afirma que ele atuou, em 2006, como "ponte" no esquema e também pagou para que um subordinado seu fosse aprovado na prova.
Na época, o presidente da Conab comandava a Agência Ambiental do Estado de Goiás.
O Ministério Público alega que Santos era "amigo íntimo de um dos membros da quadrilha que fraudava a prova".
Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal mostram que ele sabia como a quadrilha trabalhava e o flagraram articulando a aprovação ilegal de seu funcionário, diz a Procuradoria.
A denúncia entregue à Justiça diz que a quadrilha cobrava até R$ 15 mil para aprovar um candidato de forma fraudulenta.
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